
Celebração, memória e solidariedade na reunião nacional de balanço de 2025 e de planejamento estratégico 2026-2030. Fotos: Flaviana Serafim
O momento de memória também recordou a vereadora Marielle Franco e a líder indígena hondurenha Berta Cáceres - ambas perderam a vida num mês de março, respectivamente em 2018 e 2016, assassinadas por denunciarem crimes e defender seu povo.
Crise capitalista e lutas sociais: análise de conjuntura aponta desafios para 2026
O encontro prosseguiu com uma análise de conjuntura provocada pelo economista Helder Gomes, do grupo de trabalho sobre a dívida pública na Rede JSB, e representantes das entidades membros e parceiras: a secretária adjunta do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Ivanilda Torres dos Santos, e o jornalista Francisco Kelvim, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), seguida de amplo debate.
O economista Helder Gomes abriu a análise afirmando que "o mito do Brasil potência é revisitado no ano eleitoral", apontando que a situação global é consequência de uma crise estrutural do capitalismo em sua "fase senil". Segundo ele, apesar de melhorias sociais, o Brasil mantém uma "posição geopolítica estratégica de subalternidade" na economia mundial.
Ele criticou o Plano Real (1993-1994) como um divisor de águas que aprofundou a "desnacionalização do Parque Produtivo Brasileiro", transferindo patrimônio e centros de decisão para o exterior. Em sua análise sobre a crise do capitalismo, isso inviabiliza qualquer tese sobre uma "revolução burguesa" no país: "Para mim, não tem nem burguesia e muito menos revolução. Por simples ausência de necessidade de ter".
Marco temporal: violência e confusão jurídica nos territórios indígenas
Ivanilda detalhou a situação da Lei 14.701 do marco temporal das terras indígenas. Mesmo com o Supremo Tribunal Federal (STF) declarando a tese inconstitucional em setembro de 2023, o Senado aprovou a legislação em dezembro de 2025 e enviou o texto para votação na Câmara dos Deputados, medida que abriu territórios para exploração econômica. A lei, em vigor entre 2024 e 2025, paralisou demarcações e intensificou a violência.
Em dezembro de 2025, o STF julgou e declarou novamente o marco temporal inconstitucional. Porém, Ivanilda destaca que o voto do ministro Gilmar Mendes foi considerado danoso, pois incorporou propostas da negociação, como a indenização pela "terra nua" e o "direito de retenção", criando uma confusão jurídica.
“Permanece a questão de abrir os territórios para explorações. Tem um dano muito maior ainda, que é a questão do pagamento das indenizações pelo valor da terra, que se chama pagamento pela terra nua. Além disso, também o direito à retenção, em que os ocupantes só vão poder sair do território depois que eles receberem tudo que tiverem de receber, seja pelo valor da terra, seja pelo valor das benfeitorias”, explica a dirigente do Cimi.
Ivanilda alerta que a violência continua nos territórios, muitos processos continuam paralisados e, em ano eleitoral, há muita dificuldade dos indígenas conseguirem acesso aos órgãos públicos envolvidos, mas “a luta vai continuar pela revogação da lei 14.701 e pelos direitos dos povos, que seja garantido conforme esteja na Constituição Federal”.
Confira outras imagens do encontro nacional.
Mundo multipolar, poder militar e a nova cara do trabalho
Representando o MAB, Francisco Kelvim argumentou que a humanidade vive uma "mudança de tempo histórico", com a transição de um mundo unipolar para um cenário multipolar. No entanto, fez um alerta crucial em meio à análise de conjuntura internacional: "A nossa grande questão é que o poder militar permanece e ele é usado quando necessário", citando a "plena derrocada histórica" dos pilares do controle imperialista, mas sem que isso signifique o fim da violência como instrumento de poder.
Ao olhar para o Brasil, Kelvim destacou a "estagnação sistemática da economia e do trabalho". A constatação mais forte é o retrato da nova configuração da classe trabalhadora, um ponto central para entender as lutas sociais em 2026: "Metade da classe trabalhadora está na informalidade e 10 milhões são trabalhadores de plataforma".
Para ele, essa realidade fragmentada impõe uma enorme dificuldade para a organização e a resistência sindical tradicional diante do avanço da precarização. “Tem uma mudança muito grande que a gente precisa compreender para pensar como organizar essa classe que ainda está em transformação, porque a mudança demora também para se consolidar”, completa.
Avaliando a caminhada coletiva e traçando o futuro
Ainda no primeiro dia, a coordenação se dedicou à apresentação do balanço de ações e à avaliação do trabalho da rede em 2025 para identificar avanços, desafios e aprendizados.
Os dias 12 e 13 foram marcados por uma imersão no planejamento estratégico 2026-2030, facilitado pelas consultoras Luciana Pinto e Jonia Rodrigues, com momentos de trabalho coletivo para desenhar os passos seguintes da caminhada.
Houve amplo debate sobre a atualização da missão e a visão da Rede JSB, e as linhas de ação prioritárias redesenhadas para: dívidas, financeirização e reparação; mulheres e territórios; articulação; fortalecimento institucional e comunicação.
O encerramento do encontro foi dedicado à apresentação do balanço financeiro de 2025 e das perspectivas para 2026, além da mobilização de recursos.
A metodologia participativa e os momentos de articulação entre as entidades marcaram todo o encontro, que reforçou o compromisso da Rede Jubileu Sul Brasil com a luta por justiça social, socioambiental e econômica no país.
A atividade foi promovida como parte do projeto "Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público", realizado pelo Jubileu Sul por meio do Termo de Fomento nº 984635/2025, firmado com o @mdhcbrasil, decorrente da Emenda Parlamentar nº 36110013, de autoria da deputada federal @luizaerundina, e da Emenda Parlamentar nº 44830012, do deputado federal @tarcisiomottapsol
Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil Últimas notícias

Celebração, memória e solidariedade na reunião nacional de balanço de 2025 e de planejamento estratégico 2026-2030. Fotos: Flaviana Serafim
O momento de memória também recordou a vereadora Marielle Franco e a líder indígena hondurenha Berta Cáceres - ambas perderam a vida num mês de março, respectivamente em 2018 e 2016, assassinadas por denunciarem crimes e defender seu povo.
Crise capitalista e lutas sociais: análise de conjuntura aponta desafios para 2026
O encontro prosseguiu com uma análise de conjuntura provocada pelo economista Helder Gomes, do grupo de trabalho sobre a dívida pública na Rede JSB, e representantes das entidades membros e parceiras: a secretária adjunta do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Ivanilda Torres dos Santos, e o jornalista Francisco Kelvim, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), seguida de amplo debate.
O economista Helder Gomes abriu a análise afirmando que "o mito do Brasil potência é revisitado no ano eleitoral", apontando que a situação global é consequência de uma crise estrutural do capitalismo em sua "fase senil". Segundo ele, apesar de melhorias sociais, o Brasil mantém uma "posição geopolítica estratégica de subalternidade" na economia mundial.
Ele criticou o Plano Real (1993-1994) como um divisor de águas que aprofundou a "desnacionalização do Parque Produtivo Brasileiro", transferindo patrimônio e centros de decisão para o exterior. Em sua análise sobre a crise do capitalismo, isso inviabiliza qualquer tese sobre uma "revolução burguesa" no país: "Para mim, não tem nem burguesia e muito menos revolução. Por simples ausência de necessidade de ter".
Marco temporal: violência e confusão jurídica nos territórios indígenas
Ivanilda detalhou a situação da Lei 14.701 do marco temporal das terras indígenas. Mesmo com o Supremo Tribunal Federal (STF) declarando a tese inconstitucional em setembro de 2023, o Senado aprovou a legislação em dezembro de 2025 e enviou o texto para votação na Câmara dos Deputados, medida que abriu territórios para exploração econômica. A lei, em vigor entre 2024 e 2025, paralisou demarcações e intensificou a violência.
Em dezembro de 2025, o STF julgou e declarou novamente o marco temporal inconstitucional. Porém, Ivanilda destaca que o voto do ministro Gilmar Mendes foi considerado danoso, pois incorporou propostas da negociação, como a indenização pela "terra nua" e o "direito de retenção", criando uma confusão jurídica.
“Permanece a questão de abrir os territórios para explorações. Tem um dano muito maior ainda, que é a questão do pagamento das indenizações pelo valor da terra, que se chama pagamento pela terra nua. Além disso, também o direito à retenção, em que os ocupantes só vão poder sair do território depois que eles receberem tudo que tiverem de receber, seja pelo valor da terra, seja pelo valor das benfeitorias”, explica a dirigente do Cimi.
Ivanilda alerta que a violência continua nos territórios, muitos processos continuam paralisados e, em ano eleitoral, há muita dificuldade dos indígenas conseguirem acesso aos órgãos públicos envolvidos, mas “a luta vai continuar pela revogação da lei 14.701 e pelos direitos dos povos, que seja garantido conforme esteja na Constituição Federal”.
Confira outras imagens do encontro nacional.
Mundo multipolar, poder militar e a nova cara do trabalho
Representando o MAB, Francisco Kelvim argumentou que a humanidade vive uma "mudança de tempo histórico", com a transição de um mundo unipolar para um cenário multipolar. No entanto, fez um alerta crucial em meio à análise de conjuntura internacional: "A nossa grande questão é que o poder militar permanece e ele é usado quando necessário", citando a "plena derrocada histórica" dos pilares do controle imperialista, mas sem que isso signifique o fim da violência como instrumento de poder.
Ao olhar para o Brasil, Kelvim destacou a "estagnação sistemática da economia e do trabalho". A constatação mais forte é o retrato da nova configuração da classe trabalhadora, um ponto central para entender as lutas sociais em 2026: "Metade da classe trabalhadora está na informalidade e 10 milhões são trabalhadores de plataforma".
Para ele, essa realidade fragmentada impõe uma enorme dificuldade para a organização e a resistência sindical tradicional diante do avanço da precarização. “Tem uma mudança muito grande que a gente precisa compreender para pensar como organizar essa classe que ainda está em transformação, porque a mudança demora também para se consolidar”, completa.
Avaliando a caminhada coletiva e traçando o futuro
Ainda no primeiro dia, a coordenação se dedicou à apresentação do balanço de ações e à avaliação do trabalho da rede em 2025 para identificar avanços, desafios e aprendizados.
Os dias 12 e 13 foram marcados por uma imersão no planejamento estratégico 2026-2030, facilitado pelas consultoras Luciana Pinto e Jonia Rodrigues, com momentos de trabalho coletivo para desenhar os passos seguintes da caminhada.
Houve amplo debate sobre a atualização da missão e a visão da Rede JSB, e as linhas de ação prioritárias redesenhadas para: dívidas, financeirização e reparação; mulheres e territórios; articulação; fortalecimento institucional e comunicação.
O encerramento do encontro foi dedicado à apresentação do balanço financeiro de 2025 e das perspectivas para 2026, além da mobilização de recursos.
A metodologia participativa e os momentos de articulação entre as entidades marcaram todo o encontro, que reforçou o compromisso da Rede Jubileu Sul Brasil com a luta por justiça social, socioambiental e econômica no país.
A atividade foi promovida como parte do projeto "Resistência e defesa de direitos frente ao sobre-endividamento público", realizado pelo Jubileu Sul por meio do Termo de Fomento nº 984635/2025, firmado com o @mdhcbrasil, decorrente da Emenda Parlamentar nº 36110013, de autoria da deputada federal @luizaerundina, e da Emenda Parlamentar nº 44830012, do deputado federal @tarcisiomottapsol
Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil Últimas notícias
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