“Os habitantes da borda do mundo veem coisas inimagináveis. Eles veem as catástrofes corroendo primeiro as suas vidas, exatamente por serem os excluídos, os pobres e os injustiçados. É necessário que, a partir desse lugar, resgatemos o enunciado de Maio de 68: ‘Sejamos realistas, peçamos o impossível'”, concluiu a professora no primeiro momento de partilha.Comunicação emancipatória e o tempo espiral No momento de troca de saberes, os participantes trouxeram questionamentos sobre os paradigmas da difusão, a renovação do pacto civilizatório e a solidão que a técnica por vezes impõe à coletividade das pastorais sociais. Respondendo aos desafios da plataformização, Rosane sugeriu uma mudança na percepção do tempo: a criação de narrativas em um “tempo espiral”, onde a comunicação é um contínuo, focado na autonomia e na emancipação. Uma inspiração na construção do Bem Viver dos Povos. Respondendo aos questionamentos e colocações, Rosane fez a sua reflexão final sobre a articulação e urgência climática e o esgotamento do modelo neoliberal com a necessidade de uma comunicação ética. Ao citar as contradições da COP30, ela reafirmou que a saída reside na “lógica dos povos” das bordas, onde estão as táticas de sobrevivência e inteligência ancestral. O enfrentamento ao “brutalismo” contemporâneo exige o resgate do pensamento crítico para combater a banalização do mal e uma linguagem capaz de romper a indiferença. Rosane emocionou a todos ao citar episódios que que ilustram o que vivemos e ainda marcam a memória como os 111 tiros de Costa Barros e o caso Hind Rajab, transformando a comunicação em um vetor de comoção e emancipação social. Utilizando a metáfora da “borda”, sugeriu que é preciso bordar um novo manto para o mundo, já que o tecido atual, que cobre apenas os privilegiados, está mofado e em ruínas. “Precisamos bordar um outro manto para o mundo, porque o tecido que cobre os privilegiados hoje está carcomido, mofado e cheio de goteiras. Enquanto esse velho mundo se esgota, são os povos injustiçados que estão produzindo um novo bordado para a nossa história’, concluiu Rosane Borges. O encontro encerrou com o sentimento de fortalecimento mútuo das comunicadoras e comunicadores das pastorais sociais. A comunicação foi reafirmada não apenas como técnica, mas como missão de reverberar as vozes dos povos dos povos da cidade, do campo, das florestas e das águas na defesa da vida em tempos de esgotamento. Por Claudia Pereira - Cepast-CNBB
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“Os habitantes da borda do mundo veem coisas inimagináveis. Eles veem as catástrofes corroendo primeiro as suas vidas, exatamente por serem os excluídos, os pobres e os injustiçados. É necessário que, a partir desse lugar, resgatemos o enunciado de Maio de 68: ‘Sejamos realistas, peçamos o impossível'”, concluiu a professora no primeiro momento de partilha.Comunicação emancipatória e o tempo espiral No momento de troca de saberes, os participantes trouxeram questionamentos sobre os paradigmas da difusão, a renovação do pacto civilizatório e a solidão que a técnica por vezes impõe à coletividade das pastorais sociais. Respondendo aos desafios da plataformização, Rosane sugeriu uma mudança na percepção do tempo: a criação de narrativas em um “tempo espiral”, onde a comunicação é um contínuo, focado na autonomia e na emancipação. Uma inspiração na construção do Bem Viver dos Povos. Respondendo aos questionamentos e colocações, Rosane fez a sua reflexão final sobre a articulação e urgência climática e o esgotamento do modelo neoliberal com a necessidade de uma comunicação ética. Ao citar as contradições da COP30, ela reafirmou que a saída reside na “lógica dos povos” das bordas, onde estão as táticas de sobrevivência e inteligência ancestral. O enfrentamento ao “brutalismo” contemporâneo exige o resgate do pensamento crítico para combater a banalização do mal e uma linguagem capaz de romper a indiferença. Rosane emocionou a todos ao citar episódios que que ilustram o que vivemos e ainda marcam a memória como os 111 tiros de Costa Barros e o caso Hind Rajab, transformando a comunicação em um vetor de comoção e emancipação social. Utilizando a metáfora da “borda”, sugeriu que é preciso bordar um novo manto para o mundo, já que o tecido atual, que cobre apenas os privilegiados, está mofado e em ruínas. “Precisamos bordar um outro manto para o mundo, porque o tecido que cobre os privilegiados hoje está carcomido, mofado e cheio de goteiras. Enquanto esse velho mundo se esgota, são os povos injustiçados que estão produzindo um novo bordado para a nossa história’, concluiu Rosane Borges. O encontro encerrou com o sentimento de fortalecimento mútuo das comunicadoras e comunicadores das pastorais sociais. A comunicação foi reafirmada não apenas como técnica, mas como missão de reverberar as vozes dos povos dos povos da cidade, do campo, das florestas e das águas na defesa da vida em tempos de esgotamento. Por Claudia Pereira - Cepast-CNBB
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