
Participantes do Encontro de Economistas e Afins, realizado no Sindsprev/RJ. Fotos: Flaviana Serafim
Revolução ou barbárie: alternativas que nascem dos territórios
Ao mesmo tempo em que foi feita uma análise crítica do cenário político econômico atual, o encontro também teve como marca o compartilhamento de experiências de resistência, alternativas comunitárias, construção de outros caminhos e mundos possíveis.
Houve consenso de que a luta de classes está viva e que as lutas identitárias são parte constitutiva do embate, e não campos separados. A valorização da classe trabalhadora em toda sua diversidade – com raça, gênero, território – foi colocada como estratégia essencial para qualquer projeto de transformação.
“Ou a classe trabalhadora se organiza para superar o capitalismo, ou a barbárie será o nosso futuro", resumiu Denise Gentil, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Nesse sentido, para a administradora Deise Ferraz, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, o encontro de especialista é relevante “para que possamos refletir sobre os elementos determinantes que a classe trabalhadora se organiza para enfrentar. Mas um enfrentamento que não seja apenas de reação, seja também para a transformação dessa condição que nos encontramos hoje”.
As falas também convergiram em torno de um diagnóstico: para enfrentar a catástrofe social, ambiental e econômica que se avizinha, é preciso ousar imaginar outras formas de organização política, econômica e cultural – sem cair nas falsas alternativas oferecidas pelas potências hegemônicas.
Diante do aprofundamento da crise, os participantes defenderam a urgência de pensar alternativas estruturais que rompam com o modelo atual. Para os movimentos sociais presentes, não se trata apenas de mudar a gestão da política econômica, mas de propor novos caminhos, baseados na soberania popular, na justiça social e ambiental e no enfrentamento do racismo, do patriarcado e da colonialidade.
Outra urgência é repensar a economia desde os territórios, desde as mulheres, os povos originários e comunidades periféricas, reconhecendo suas práticas como expressões de enfrentamento real ao sistema.
Na visão da pesquisadora Soraya Tupinambá, é preciso “repensar um novo projeto para o Brasil, que compatibilize desenvolvimento com conservação dos bens comuns, água, floresta e produção de alimentos, sobretudo diante das emergências climáticas que ameaçam a vida do planeta. É o encontro entre economia e meio ambiente para pensar um projeto de país em outras bases, em bases sustentáveis e que seja capaz de enfrentar a crise do clima”.
Entre os desafios nesse processo, está o de reaprender a sonhar e a construir a esperança não como ilusão, mas como organização concreta das possibilidades.
Para o economista Plínio de Arruda Sampaio Jr, “a esperança surge na adversidade. Ninguém fica pensando que há esperança se está tudo bem. A esperança surge na adversidade, da junção da luta com a crítica, na luta de resistência à barbárie”, ressalta.
Próximos passos
Na avaliação de participantes, o encontro cumpriu seu papel como um espaço de escuta, de convergências e divergências, de articulação e ousadia.
“A população preta faz parte de um projeto político de emancipação e de luta, e precisa estar em espaços como esse para pensar novos rumos para esse país”, pontua a economista Giselle Florentino, diretora executiva da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial.
Para Gilberto Maringoni, jornalista e professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC, “é fundamental fazer um encontro para discutir economia política porque economia são escolhas. E é decisivo fazer isso num momento em que há uma ofensiva Imperial contra o Brasil que suscita boa parte da população brasileira um sentimento nacionalista, de defesa do país”.
Segundo o jornalista, o governo Lula não é capaz de enfrentar o cenário articulando apenas com o empresariado. “O movimento popular é fundamental nessa história e esse encontro busca ajudar nesse ponto de somar num movimento nacionalista, mas principalmente partir de baixo, das reivindicações populares que não estão sendo plenamente atendidas”, completa.
O evento terminou com a formação de um grupo de trabalho para elaborar as discussões em um documento-síntese, a ser divulgado pelo Jubileu Sul. A expectativa é dar continuidade aos debates em outras atividades de forma virtual e, presencialmente, com um segundo encontro em data a ser definida
O encontro foi promovido no âmbito do projeto “Resistência e defesa dos direitos frente o sobre-endividamento e às mudanças climáticas”, para o planejamento das ações nos marcos da "Campanha de conscientização sobre dívida sociais", realizado pela Rede Jubileu Sul Brasil conforme o Termo de Fomento nº 962421/2024, firmado com o Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, decorrente da Emenda Parlamentar nº 39840002, de autoria da Deputada Federal Fernanda Melchionna.
Por Flaviana Serafim - Jubileu Sul Brasil Últimas notícias

Participantes do Encontro de Economistas e Afins, realizado no Sindsprev/RJ. Fotos: Flaviana Serafim
Revolução ou barbárie: alternativas que nascem dos territórios
Ao mesmo tempo em que foi feita uma análise crítica do cenário político econômico atual, o encontro também teve como marca o compartilhamento de experiências de resistência, alternativas comunitárias, construção de outros caminhos e mundos possíveis.
Houve consenso de que a luta de classes está viva e que as lutas identitárias são parte constitutiva do embate, e não campos separados. A valorização da classe trabalhadora em toda sua diversidade – com raça, gênero, território – foi colocada como estratégia essencial para qualquer projeto de transformação.
“Ou a classe trabalhadora se organiza para superar o capitalismo, ou a barbárie será o nosso futuro", resumiu Denise Gentil, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
Nesse sentido, para a administradora Deise Ferraz, professora da Universidade Federal de Minas Gerais, o encontro de especialista é relevante “para que possamos refletir sobre os elementos determinantes que a classe trabalhadora se organiza para enfrentar. Mas um enfrentamento que não seja apenas de reação, seja também para a transformação dessa condição que nos encontramos hoje”.
As falas também convergiram em torno de um diagnóstico: para enfrentar a catástrofe social, ambiental e econômica que se avizinha, é preciso ousar imaginar outras formas de organização política, econômica e cultural – sem cair nas falsas alternativas oferecidas pelas potências hegemônicas.
Diante do aprofundamento da crise, os participantes defenderam a urgência de pensar alternativas estruturais que rompam com o modelo atual. Para os movimentos sociais presentes, não se trata apenas de mudar a gestão da política econômica, mas de propor novos caminhos, baseados na soberania popular, na justiça social e ambiental e no enfrentamento do racismo, do patriarcado e da colonialidade.
Outra urgência é repensar a economia desde os territórios, desde as mulheres, os povos originários e comunidades periféricas, reconhecendo suas práticas como expressões de enfrentamento real ao sistema.
Na visão da pesquisadora Soraya Tupinambá, é preciso “repensar um novo projeto para o Brasil, que compatibilize desenvolvimento com conservação dos bens comuns, água, floresta e produção de alimentos, sobretudo diante das emergências climáticas que ameaçam a vida do planeta. É o encontro entre economia e meio ambiente para pensar um projeto de país em outras bases, em bases sustentáveis e que seja capaz de enfrentar a crise do clima”.
Entre os desafios nesse processo, está o de reaprender a sonhar e a construir a esperança não como ilusão, mas como organização concreta das possibilidades.
Para o economista Plínio de Arruda Sampaio Jr, “a esperança surge na adversidade. Ninguém fica pensando que há esperança se está tudo bem. A esperança surge na adversidade, da junção da luta com a crítica, na luta de resistência à barbárie”, ressalta.
Próximos passos
Na avaliação de participantes, o encontro cumpriu seu papel como um espaço de escuta, de convergências e divergências, de articulação e ousadia.
“A população preta faz parte de um projeto político de emancipação e de luta, e precisa estar em espaços como esse para pensar novos rumos para esse país”, pontua a economista Giselle Florentino, diretora executiva da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial.
Para Gilberto Maringoni, jornalista e professor de relações internacionais da Universidade Federal do ABC, “é fundamental fazer um encontro para discutir economia política porque economia são escolhas. E é decisivo fazer isso num momento em que há uma ofensiva Imperial contra o Brasil que suscita boa parte da população brasileira um sentimento nacionalista, de defesa do país”.
Segundo o jornalista, o governo Lula não é capaz de enfrentar o cenário articulando apenas com o empresariado. “O movimento popular é fundamental nessa história e esse encontro busca ajudar nesse ponto de somar num movimento nacionalista, mas principalmente partir de baixo, das reivindicações populares que não estão sendo plenamente atendidas”, completa.
O evento terminou com a formação de um grupo de trabalho para elaborar as discussões em um documento-síntese, a ser divulgado pelo Jubileu Sul. A expectativa é dar continuidade aos debates em outras atividades de forma virtual e, presencialmente, com um segundo encontro em data a ser definida
O encontro foi promovido no âmbito do projeto “Resistência e defesa dos direitos frente o sobre-endividamento e às mudanças climáticas”, para o planejamento das ações nos marcos da "Campanha de conscientização sobre dívida sociais", realizado pela Rede Jubileu Sul Brasil conforme o Termo de Fomento nº 962421/2024, firmado com o Ministério de Direitos Humanos e da Cidadania, decorrente da Emenda Parlamentar nº 39840002, de autoria da Deputada Federal Fernanda Melchionna.
Por Flaviana Serafim - Jubileu Sul Brasil Últimas notícias
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