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Saiu na mídia: Cúpula dos Povos do Nordeste se reúne em Parnaíba entre os dias 7 e 9 de outubro

  • 8 de outubro de 2025

A cidade de Parnaíba, a 337 km de Teresina, vai receber, de 7 a 9 de outubro, a delegação de integrantes da Cúpula dos Povos do Nordeste rumo à COP-30, para o seminário “Transição ou Tran$ação Energética?”. Organizado pelo coletivo, o encontro reunirá representantes dos sete estados nordestinos para debater e aprofundar os conhecimentos e as escutas relacionadas aos conflitos, às violações de direitos, às mudanças climáticas e aos rumos da transição energética no Brasil.

O evento será realizado no Centro Pastoral Diocesano de Parnaíba e reunirá atingidos pelas energias renováveis, pesquisadores, ambientalistas e representantes de entidades que atuam pela justiça climática no Nordeste e que combatem a chamada transição energética injusta — aquela que afeta os territórios, a biodiversidade, a água e, principalmente, as populações que vivem nas regiões impactadas pelas usinas de energia eólica e solar que se multiplicam na região.

Este é o segundo seminário realizado pela Cúpula dos Povos do Nordeste. O primeiro aconteceu em agosto, em Fortaleza. A questão central dos debates será discutir se essa transição está, de fato, promovendo justiça climática ou se configura como uma “transação energética”, em que interesses corporativos e financeiros prevalecem sobre direitos humanos e ambientais, justificou Rhavena Madeira, da ONG Filhas do Sol, uma das organizadoras do seminário.

Participantes do seminário realizado na capital cearense.

Participantes do seminário realizado na capital cearense. Foto: Divulgação Cúpula dos Povos Nordeste

Assim como ocorreu em Fortaleza — que reuniu 44 organizações socioambientais com atuação em diversas frentes —, a expectativa é repetir em Parnaíba o mesmo público, acrescentando a participação de coletivos do Piauí, representantes de comunidades indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, sindicatos, associações culturais, fóruns feministas, ambientais e parlamentares.

Realizar o evento em Parnaíba foi uma escolha da assembleia da Cúpula do Nordeste, tendo em vista a implantação de megaempreendimentos de energia eólica, solar e de uma usina de hidrogênio verde em curso no município. O Piauí tem sido palco de inúmeros casos de violação de direitos humanos promovidos por empresas do setor. Um dos mais emblemáticos ocorreu em São Gonçalo do Gurguéia, onde, há cinco anos, uma lagoa de contenção de rejeitos da usina solar da Enel, considerada a maior da América Latina, rompeu-se, contaminando e aterrando rios e lagoas, destruindo plantações da agricultura familiar e deixando centenas de famílias sem acesso à água. Pior: a multinacional Enel até hoje não solucionou os problemas que criou, mesmo após denúncias ao Ministério Público.

Outra preocupação dos coletivos é a construção de uma usina de hidrogênio verde que vem sendo implantada em Parnaíba — considerada a maior do planeta —, com previsão de consumir, por dia, cinco vezes mais água do que a utilizada pela cidade, que possui 169 mil habitantes, além de demandar mais da metade da energia consumida diariamente em todo o Piauí. Soma-se a essas preocupações a instalação de data centers no Ceará e no Piauí.

Por Redação - O Corre Diário

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O evento será realizado no Centro Pastoral Diocesano de Parnaíba e reunirá atingidos pelas energias renováveis, pesquisadores, ambientalistas e representantes de entidades que atuam pela justiça climática no Nordeste e que combatem a chamada transição energética injusta — aquela que afeta os territórios, a biodiversidade, a água e, principalmente, as populações que vivem nas regiões impactadas pelas usinas de energia eólica e solar que se multiplicam na região.

Este é o segundo seminário realizado pela Cúpula dos Povos do Nordeste. O primeiro aconteceu em agosto, em Fortaleza. A questão central dos debates será discutir se essa transição está, de fato, promovendo justiça climática ou se configura como uma “transação energética”, em que interesses corporativos e financeiros prevalecem sobre direitos humanos e ambientais, justificou Rhavena Madeira, da ONG Filhas do Sol, uma das organizadoras do seminário.

Participantes do seminário realizado na capital cearense.

Participantes do seminário realizado na capital cearense. Foto: Divulgação Cúpula dos Povos Nordeste

Assim como ocorreu em Fortaleza — que reuniu 44 organizações socioambientais com atuação em diversas frentes —, a expectativa é repetir em Parnaíba o mesmo público, acrescentando a participação de coletivos do Piauí, representantes de comunidades indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, sindicatos, associações culturais, fóruns feministas, ambientais e parlamentares.

Realizar o evento em Parnaíba foi uma escolha da assembleia da Cúpula do Nordeste, tendo em vista a implantação de megaempreendimentos de energia eólica, solar e de uma usina de hidrogênio verde em curso no município. O Piauí tem sido palco de inúmeros casos de violação de direitos humanos promovidos por empresas do setor. Um dos mais emblemáticos ocorreu em São Gonçalo do Gurguéia, onde, há cinco anos, uma lagoa de contenção de rejeitos da usina solar da Enel, considerada a maior da América Latina, rompeu-se, contaminando e aterrando rios e lagoas, destruindo plantações da agricultura familiar e deixando centenas de famílias sem acesso à água. Pior: a multinacional Enel até hoje não solucionou os problemas que criou, mesmo após denúncias ao Ministério Público.

Outra preocupação dos coletivos é a construção de uma usina de hidrogênio verde que vem sendo implantada em Parnaíba — considerada a maior do planeta —, com previsão de consumir, por dia, cinco vezes mais água do que a utilizada pela cidade, que possui 169 mil habitantes, além de demandar mais da metade da energia consumida diariamente em todo o Piauí. Soma-se a essas preocupações a instalação de data centers no Ceará e no Piauí.

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