A Rede Jubileu Sul Brasil reuniu, entre os dias 3 e 5 de novembro, 68 movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil brasileira de todas as regiões do país, além da América Latina e Caribe, na Casa Carlito Maia, São Paulo, para pensarmos juntos sobre os desafios e os caminhos para a construção de uma economia para além do capital, vem se posicionar contra a atual proposta de ajuste fiscal e, inclusive, a eventuais flexibilizações que visem atender os interesses do capital financeiro em detrimento da mobilização popular que culminou com a reeleição histórica do presidente Lula. Seguir com os cortes de gastos contra os mais vulneráveis não é aceitável e pode significar uma derrota dentro da vitória.
Não aceitamos o novo arcabouço fiscal, criado em 2023, como também reivindicamos a reversão dos cortes de verbas realizados em 2026, nas universidades federais e no SUS, que alcançou mais de R$16 bilhões. A austeridade fiscal agride os direitos sociais, o desenvolvimento econômico e a dignidade das classes trabalhadoras e das populações historicamente vulnerabilizadas.
Ao longo do segundo turno, a população foi às ruas para exigir vida digna: alimentos baratos, mais políticas públicas, salário mínimo corrigido acima da inflação, piso das aposentadorias, pensões e BPC vinculados ao salário mínimo, respeito ao mínimo constitucional estabelecido para as áreas de saúde e educação, tarifa zero no transporte coletivo nos fins de semana etc. Foi em apoio a essa agenda que se construiu a maioria que derrotou o fascismo e o neoliberalismo. O povo quer participar das decisões macroeconômicas e exige um novo modelo de gestão do país, que o mobilize à ampla participação popular.
Insistir no ajuste fiscal é inaceitável e significaria repetir os erros do passado. Se o governo quer cortar gastos, que corte nos juros arbitrários da dívida pública, que impõe severas restrições ao orçamento federal, reduzindo os gastos públicos. O lucro de especuladores que ganham com a captura da renda dos trabalhadores não pode ser privilegiado às custas do empobrecimento da grande maioria. Como primeiro um passo ao caminho da des-financeirização do Estado brasileiro, convocamos os movimentos sociais, juvenis, sindicais, redes e coletivos, a lutarmos, neste "terceiro turno", pela agenda política eleita conforme a vontade majoritária consagrada nas urnas, uma agenda que promova o bem viver e não o rentismo e o neoextrativismo.
Não devemos não pagamos, somos os povos a solução. A vida acima da dívida!
São Paulo, 5 de novembro de 2026.
Assinam
ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais
Acción Ecológica – Equador
ALBA Movimentos – Articulação Continental de Movimentos Sociais e Populares
Alianza contra la Desigualdad (Aliança contra a Desigualdade)
ANDES - Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior
APIB - Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
Articulação Trama Viva Nordeste
ASA Brasil – Articulação Semiárido Brasileiro
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Campanha 10% para a Vida
Campanha contra a Violência no Campo
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Cáritas Brasileira – Regional Nordeste 3
Cáritas Brasileira Secretariado Nacional
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CEFEP – Centro Nacional de Fé e Política Dom Helder Câmara.
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Centelhas/PSOL – Coletivo Centelhas do Partido Socialismo e Liberdade
Centro Dandara de Promotoras Legais Populares
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
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CEPAST – Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
CESEEP - Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular
CIMI – Conselho Indigenista Missionário
Comissão Brasileira Justiça e Paz
Comunicação Maré
CPP – Conselho Pastoral dos Pescadores e Pescadoras
CPT – Comissão Pastoral da Terra
Diálogo 2000 – Argentina
Educadores e Educadoras Populares
Emancipa – Rede Emancipa de Educação Popular
Energia para a Vida - consultar
ESPLAR – Centro de Pesquisa e Assessoria
FASE – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
FMCJS – Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental
Frente de Luta por Moradia
Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde
Frente por uma nova política energética
Fundação Rosa Luxemburgo
Grito dos Excluídos e Excluídas
Grupo Carta de Belém
INESC – Instituto de Estudos Socioeconômicos
Instituto Direito à Memória e Justiça Racial
Instituto Pólis
Instituto Terramar
Itaipú Causa Nacional – Paraguai
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Land Rights Now
MAR – Movimento de Atingidos pelas Renováveis
Marcha Mundial de Mulheres Macro Norte Peru
MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas
MMM – Marcha Mundial das Mulheres
Movimento de Mulheres Olga Benário
Movimento dos Conselhos Populares (MCP)
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
PAPDA – Plateforme Haïtienne de Plaidoyer pour un Développement Alternatif (Plataforma Haitiana de Incidência por um Desenvolvimento Alternativo).
Pastoral da Moradia e Favela
Pastoral Operária Nacional
Plataforma Dhesca Brasil – Plataforma Brasileira de Direitos Humanos Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais
Plataforma Justa
Povo Indígena Avá-Guarani
Quilombo da Gamboa
RBJA – Rede Brasileira de Justiça Ambiental
Rede Jubileu Sul Américas
Rede Jubileu Sul Brasil
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
Rede Transição Energética Popular - consultar
RENAP – Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares
Serparj Paraguay
SOS Corpo
UFF - Universidade Federal Fluminense
Unesp Universidade Estadual Paulista - Araraquara
UNIR - Universidade de Rondônia
USIH - União Social dos Imigrantes Haitianos
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A Rede Jubileu Sul Brasil reuniu, entre os dias 3 e 5 de novembro, 68 movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil brasileira de todas as regiões do país, além da América Latina e Caribe, na Casa Carlito Maia, São Paulo, para pensarmos juntos sobre os desafios e os caminhos para a construção de uma economia para além do capital, vem se posicionar contra a atual proposta de ajuste fiscal e, inclusive, a eventuais flexibilizações que visem atender os interesses do capital financeiro em detrimento da mobilização popular que culminou com a reeleição histórica do presidente Lula. Seguir com os cortes de gastos contra os mais vulneráveis não é aceitável e pode significar uma derrota dentro da vitória.
Não aceitamos o novo arcabouço fiscal, criado em 2023, como também reivindicamos a reversão dos cortes de verbas realizados em 2026, nas universidades federais e no SUS, que alcançou mais de R$16 bilhões. A austeridade fiscal agride os direitos sociais, o desenvolvimento econômico e a dignidade das classes trabalhadoras e das populações historicamente vulnerabilizadas.
Ao longo do segundo turno, a população foi às ruas para exigir vida digna: alimentos baratos, mais políticas públicas, salário mínimo corrigido acima da inflação, piso das aposentadorias, pensões e BPC vinculados ao salário mínimo, respeito ao mínimo constitucional estabelecido para as áreas de saúde e educação, tarifa zero no transporte coletivo nos fins de semana etc. Foi em apoio a essa agenda que se construiu a maioria que derrotou o fascismo e o neoliberalismo. O povo quer participar das decisões macroeconômicas e exige um novo modelo de gestão do país, que o mobilize à ampla participação popular.
Insistir no ajuste fiscal é inaceitável e significaria repetir os erros do passado. Se o governo quer cortar gastos, que corte nos juros arbitrários da dívida pública, que impõe severas restrições ao orçamento federal, reduzindo os gastos públicos. O lucro de especuladores que ganham com a captura da renda dos trabalhadores não pode ser privilegiado às custas do empobrecimento da grande maioria. Como primeiro um passo ao caminho da des-financeirização do Estado brasileiro, convocamos os movimentos sociais, juvenis, sindicais, redes e coletivos, a lutarmos, neste "terceiro turno", pela agenda política eleita conforme a vontade majoritária consagrada nas urnas, uma agenda que promova o bem viver e não o rentismo e o neoextrativismo.
Não devemos não pagamos, somos os povos a solução. A vida acima da dívida!
São Paulo, 5 de novembro de 2026.
Assinam
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