Entre os dias 25 e 28 de junho, lideranças do povo Avá-Guarani Paranaense do Brasil e do Paraguai reuniram-se em Kumanda Kai, Canindeyú (Paraguai), para um encontro binacional de fortalecimento da luta por reparação territorial, formação política e comunicação popular.
A atividade integra o projeto “Liderança indígena em ação: Ava Guaraní Paranaense na defesa dos direitos territoriais, culturais, ambientais no Paraguai e Brasil” e contou com a participação de líderes e lideranças indígenas, membros do Comitê de Gestão Étnica Binacional (CGEBN), jovens da Rede Ayvu, além de técnicos de organizações parceiras.
A Rede Jubileu Sul Brasil esteve presente representada pelo articulador Francisco Vladimir a convite do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul) – entidade membro da Rede – e dos próprios Ava Guarani, pelo líder indígena Oscar Benites.
Há mais de 50 anos, o povo Avá-Guarani luta pela reparação dos danos causados pela construção da usina hidrelétrica de Itaipu, durante o regime militar. A megaconstrução inundou cerca de 143.878 hectares de território ancestral, deslocando forçosamente mais de 50 comunidades no Brasil e no Paraguai. Décadas depois, a dívida histórica segue sem reparação integral.

Luta por reparações atravessa gerações há cinco décadas. Fotos: Francisco Vladimir
Comunicação popular e espiritualidade como ferramentas de resistência
A programação do encontro foi estruturada a partir do método de diálogo em assembleia (aty guazú), próprio dos povos indígenas, garantindo a participação plural e com enfoque de gênero e intergeracional. As atividades incluíram momentos de expressão espiritual (Jerojy Ñembo'e), fortalecimento da cultura e da unidade dos Avá-Guarani de ambas as margens do rio Paraná.
Entre os temas centrais, foi destacada a construção de uma Escola de Liderança Indígena, com a elaboração participativa de um plano curricular modular, e o fortalecimento da Rede de Jovens Comunicadores AGP, com ênfase em estratégias de comunicação popular para denunciar violações de direitos.
“Na agenda, a programação principal foi comunicação – como os povos indígenas devem atuar quanto à comunicação –, também questão de segurança e de como podem fazer processos de comunicação popular para fazer as denúncias”, destaca Francisco Vladimir, articulador que representou o Jubileu Sul no encontro.

Assembleia indígena Ava Guarani reunida.
Reparação territorial: uma dívida que persiste
A luta dos Avá-Guarani contra a Itaipu binacional segue sendo o eixo central da mobilização. As comunidades exigem a devolução de suas terras e a reparação pelos danos causados pela hidrelétrica. No Brasil, em março de 2026, uma ação judicial (ACO 3555) resultou em um acordo para a compra emergencial de pelo menos 3 mil hectares para as comunidades. No Paraguai, no entanto, o Estado segue omisso diante das reivindicações.
“Assumimos, junto com o Cimi, o apoio aos Avá-Guarani por reparação. O encontro foi um espaço de apoio, de solidariedade e de debate sobre a luta por reparações. Já se completa mais de 50 anos que o povo Guarani vem lutando por suas terras, depois de serem expulsos com a construção da hidrelétrica Itaipu. Eles vêm exigindo que Itaipu devolva suas terras. É uma luta muito dura, mas também tem muita resistência, muita fé através da espiritualidade, das crenças indígenas”, concluiu Vladimir.
Próximos passos
O encontro resultou em acordos para a continuidade do processo formativo, com a definição de perfis e inscrições para os participantes da Escola de Liderança e da Rede de Jovens Comunicadores. Também ficou acertada a organização do próximo encontro, dando sequência à articulação binacional e à luta por reparação.
A Rede Jubileu Sul Brasil reafirma seu compromisso com a solidariedade internacionalista e com a defesa dos direitos dos povos indígenas, acompanhando de perto a luta dos Ava Guarani por justiça, reparação, território e dignidade.
Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil
Últimas notícias
Entre os dias 25 e 28 de junho, lideranças do povo Avá-Guarani Paranaense do Brasil e do Paraguai reuniram-se em Kumanda Kai, Canindeyú (Paraguai), para um encontro binacional de fortalecimento da luta por reparação territorial, formação política e comunicação popular.
A atividade integra o projeto “Liderança indígena em ação: Ava Guaraní Paranaense na defesa dos direitos territoriais, culturais, ambientais no Paraguai e Brasil” e contou com a participação de líderes e lideranças indígenas, membros do Comitê de Gestão Étnica Binacional (CGEBN), jovens da Rede Ayvu, além de técnicos de organizações parceiras.
A Rede Jubileu Sul Brasil esteve presente representada pelo articulador Francisco Vladimir a convite do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul) – entidade membro da Rede – e dos próprios Ava Guarani, pelo líder indígena Oscar Benites.
Há mais de 50 anos, o povo Avá-Guarani luta pela reparação dos danos causados pela construção da usina hidrelétrica de Itaipu, durante o regime militar. A megaconstrução inundou cerca de 143.878 hectares de território ancestral, deslocando forçosamente mais de 50 comunidades no Brasil e no Paraguai. Décadas depois, a dívida histórica segue sem reparação integral.

Luta por reparações atravessa gerações há cinco décadas. Fotos: Francisco Vladimir
Comunicação popular e espiritualidade como ferramentas de resistência
A programação do encontro foi estruturada a partir do método de diálogo em assembleia (aty guazú), próprio dos povos indígenas, garantindo a participação plural e com enfoque de gênero e intergeracional. As atividades incluíram momentos de expressão espiritual (Jerojy Ñembo'e), fortalecimento da cultura e da unidade dos Avá-Guarani de ambas as margens do rio Paraná.
Entre os temas centrais, foi destacada a construção de uma Escola de Liderança Indígena, com a elaboração participativa de um plano curricular modular, e o fortalecimento da Rede de Jovens Comunicadores AGP, com ênfase em estratégias de comunicação popular para denunciar violações de direitos.
“Na agenda, a programação principal foi comunicação – como os povos indígenas devem atuar quanto à comunicação –, também questão de segurança e de como podem fazer processos de comunicação popular para fazer as denúncias”, destaca Francisco Vladimir, articulador que representou o Jubileu Sul no encontro.

Assembleia indígena Ava Guarani reunida.
Reparação territorial: uma dívida que persiste
A luta dos Avá-Guarani contra a Itaipu binacional segue sendo o eixo central da mobilização. As comunidades exigem a devolução de suas terras e a reparação pelos danos causados pela hidrelétrica. No Brasil, em março de 2026, uma ação judicial (ACO 3555) resultou em um acordo para a compra emergencial de pelo menos 3 mil hectares para as comunidades. No Paraguai, no entanto, o Estado segue omisso diante das reivindicações.
“Assumimos, junto com o Cimi, o apoio aos Avá-Guarani por reparação. O encontro foi um espaço de apoio, de solidariedade e de debate sobre a luta por reparações. Já se completa mais de 50 anos que o povo Guarani vem lutando por suas terras, depois de serem expulsos com a construção da hidrelétrica Itaipu. Eles vêm exigindo que Itaipu devolva suas terras. É uma luta muito dura, mas também tem muita resistência, muita fé através da espiritualidade, das crenças indígenas”, concluiu Vladimir.
Próximos passos
O encontro resultou em acordos para a continuidade do processo formativo, com a definição de perfis e inscrições para os participantes da Escola de Liderança e da Rede de Jovens Comunicadores. Também ficou acertada a organização do próximo encontro, dando sequência à articulação binacional e à luta por reparação.
A Rede Jubileu Sul Brasil reafirma seu compromisso com a solidariedade internacionalista e com a defesa dos direitos dos povos indígenas, acompanhando de perto a luta dos Ava Guarani por justiça, reparação, território e dignidade.
Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil
Últimas notícias
JUBILEU SUL © 2025 | POLÍTICA DE PROTEÇÃO DE DADOS