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Encontro binacional Ava Guarani fortalece luta por reparação e comunicação

  • 7 de julho de 2026

Entre os dias 25 e 28 de junho, lideranças do povo Avá-Guarani Paranaense do Brasil e do Paraguai reuniram-se em Kumanda Kai, Canindeyú (Paraguai), para um encontro binacional de fortalecimento da luta por reparação territorial, formação política e comunicação popular. 

A atividade integra o projeto “Liderança indígena em ação: Ava Guaraní Paranaense na defesa dos direitos territoriais, culturais, ambientais no Paraguai e Brasil” e contou com a participação de líderes e lideranças indígenas, membros do Comitê de Gestão Étnica Binacional (CGEBN), jovens da Rede Ayvu, além de técnicos de organizações parceiras.

A Rede Jubileu Sul Brasil esteve presente representada pelo articulador Francisco Vladimir a convite do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul) – entidade membro da Rede – e  dos próprios Ava Guarani, pelo líder indígena Oscar Benites.

Há mais de 50 anos, o povo Avá-Guarani luta pela reparação dos danos causados pela construção da usina hidrelétrica de Itaipu, durante o regime militar. A megaconstrução inundou cerca de 143.878 hectares de território ancestral, deslocando forçosamente mais de 50 comunidades no Brasil e no Paraguai. Décadas depois, a dívida histórica segue sem reparação integral.

Faixa branca estendida entre árvores com mensagem em espanhol pintada à mão: "¡ITAIPÚ INUNDÓ NUESTROS TERRITORIOS, SEPULTÓ NUESTROS TEKOA, EXIGIMOS REPARACIÓN YA!" – denunciando os impactos da usina hidrelétrica sobre territórios indígenas e exigindo reparação.

Luta por reparações atravessa gerações há cinco décadas. Fotos: Francisco Vladimir

Comunicação popular e espiritualidade como ferramentas de resistência

A programação do encontro foi estruturada a partir do método de diálogo em assembleia (aty guazú), próprio dos povos indígenas, garantindo a participação plural e com enfoque de gênero e intergeracional. As atividades incluíram momentos de expressão espiritual (Jerojy Ñembo'e), fortalecimento da cultura e da unidade dos Avá-Guarani de ambas as margens do rio Paraná.

Entre os temas centrais, foi destacada a construção de uma Escola de Liderança Indígena, com a elaboração participativa de um plano curricular modular, e o fortalecimento da Rede de Jovens Comunicadores AGP, com ênfase em estratégias de comunicação popular para denunciar violações de direitos.

“Na agenda, a programação principal foi comunicação – como os povos indígenas devem atuar quanto à comunicação –, também questão de segurança e de como podem fazer processos de comunicação popular para fazer as denúncias”, destaca Francisco Vladimir, articulador que representou o Jubileu Sul no encontro.

Assembleia indígena Ava Guarani reunida em grande salão com paredes de tijolos expostos e piso de terra. Participantes sentados em cadeiras plásticas coloridas formando um círculo, enquanto uma pessoa aponta para quadros brancos na parede durante apresentação ou discussão coletiva.

Assembleia indígena Ava Guarani reunida.

Reparação territorial: uma dívida que persiste

A luta dos Avá-Guarani contra a Itaipu binacional segue sendo o eixo central da mobilização. As comunidades exigem a devolução de suas terras e a reparação pelos danos causados pela hidrelétrica. No Brasil, em março de 2026, uma ação judicial (ACO 3555) resultou em um acordo para a compra emergencial de pelo menos 3 mil hectares para as comunidades. No Paraguai, no entanto, o Estado segue omisso diante das reivindicações.

“Assumimos, junto com o Cimi, o apoio aos Avá-Guarani por reparação. O encontro foi um espaço de apoio, de solidariedade e de debate sobre a luta por reparações. Já se completa mais de 50 anos que o povo Guarani vem lutando por suas terras, depois de serem expulsos com a construção da hidrelétrica Itaipu. Eles vêm exigindo que Itaipu devolva suas terras. É uma luta muito dura, mas também tem muita resistência, muita fé através da espiritualidade, das crenças indígenas”, concluiu Vladimir.

Próximos passos

O encontro resultou em acordos para a continuidade do processo formativo, com a definição de perfis e inscrições para os participantes da Escola de Liderança e da Rede de Jovens Comunicadores. Também ficou acertada a organização do próximo encontro, dando sequência à articulação binacional e à luta por reparação.

A Rede Jubileu Sul Brasil reafirma seu compromisso com a solidariedade internacionalista e com a defesa dos direitos dos povos indígenas, acompanhando de perto a luta dos Ava Guarani por justiça, reparação, território e dignidade.

Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil

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A atividade integra o projeto “Liderança indígena em ação: Ava Guaraní Paranaense na defesa dos direitos territoriais, culturais, ambientais no Paraguai e Brasil” e contou com a participação de líderes e lideranças indígenas, membros do Comitê de Gestão Étnica Binacional (CGEBN), jovens da Rede Ayvu, além de técnicos de organizações parceiras.

A Rede Jubileu Sul Brasil esteve presente representada pelo articulador Francisco Vladimir a convite do Conselho Indigenista Missionário (Cimi Sul) – entidade membro da Rede – e  dos próprios Ava Guarani, pelo líder indígena Oscar Benites.

Há mais de 50 anos, o povo Avá-Guarani luta pela reparação dos danos causados pela construção da usina hidrelétrica de Itaipu, durante o regime militar. A megaconstrução inundou cerca de 143.878 hectares de território ancestral, deslocando forçosamente mais de 50 comunidades no Brasil e no Paraguai. Décadas depois, a dívida histórica segue sem reparação integral.

Faixa branca estendida entre árvores com mensagem em espanhol pintada à mão: "¡ITAIPÚ INUNDÓ NUESTROS TERRITORIOS, SEPULTÓ NUESTROS TEKOA, EXIGIMOS REPARACIÓN YA!" – denunciando os impactos da usina hidrelétrica sobre territórios indígenas e exigindo reparação.

Luta por reparações atravessa gerações há cinco décadas. Fotos: Francisco Vladimir

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A programação do encontro foi estruturada a partir do método de diálogo em assembleia (aty guazú), próprio dos povos indígenas, garantindo a participação plural e com enfoque de gênero e intergeracional. As atividades incluíram momentos de expressão espiritual (Jerojy Ñembo'e), fortalecimento da cultura e da unidade dos Avá-Guarani de ambas as margens do rio Paraná.

Entre os temas centrais, foi destacada a construção de uma Escola de Liderança Indígena, com a elaboração participativa de um plano curricular modular, e o fortalecimento da Rede de Jovens Comunicadores AGP, com ênfase em estratégias de comunicação popular para denunciar violações de direitos.

“Na agenda, a programação principal foi comunicação – como os povos indígenas devem atuar quanto à comunicação –, também questão de segurança e de como podem fazer processos de comunicação popular para fazer as denúncias”, destaca Francisco Vladimir, articulador que representou o Jubileu Sul no encontro.

Assembleia indígena Ava Guarani reunida em grande salão com paredes de tijolos expostos e piso de terra. Participantes sentados em cadeiras plásticas coloridas formando um círculo, enquanto uma pessoa aponta para quadros brancos na parede durante apresentação ou discussão coletiva.

Assembleia indígena Ava Guarani reunida.

Reparação territorial: uma dívida que persiste

A luta dos Avá-Guarani contra a Itaipu binacional segue sendo o eixo central da mobilização. As comunidades exigem a devolução de suas terras e a reparação pelos danos causados pela hidrelétrica. No Brasil, em março de 2026, uma ação judicial (ACO 3555) resultou em um acordo para a compra emergencial de pelo menos 3 mil hectares para as comunidades. No Paraguai, no entanto, o Estado segue omisso diante das reivindicações.

“Assumimos, junto com o Cimi, o apoio aos Avá-Guarani por reparação. O encontro foi um espaço de apoio, de solidariedade e de debate sobre a luta por reparações. Já se completa mais de 50 anos que o povo Guarani vem lutando por suas terras, depois de serem expulsos com a construção da hidrelétrica Itaipu. Eles vêm exigindo que Itaipu devolva suas terras. É uma luta muito dura, mas também tem muita resistência, muita fé através da espiritualidade, das crenças indígenas”, concluiu Vladimir.

Próximos passos

O encontro resultou em acordos para a continuidade do processo formativo, com a definição de perfis e inscrições para os participantes da Escola de Liderança e da Rede de Jovens Comunicadores. Também ficou acertada a organização do próximo encontro, dando sequência à articulação binacional e à luta por reparação.

A Rede Jubileu Sul Brasil reafirma seu compromisso com a solidariedade internacionalista e com a defesa dos direitos dos povos indígenas, acompanhando de perto a luta dos Ava Guarani por justiça, reparação, território e dignidade.

Por Flaviana Serafim - Comunicação Jubileu Sul Brasil

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