Executivo de hidrelétrica é considerado culpado pelo assassinato de Berta Cáceres

Por América XXI

A 1ª Câmara do Tribunal Nacional de Penas de Honduras considerou Roberto David Castillo Mejía culpado como coautor pelo assassinato da ativista ambiental e indígena Berta Cáceres, ocorrido em março de 2016.

Castillo, que foi membro da inteligência militar do Exército de Honduras entre 2006 e 2011, ocupou a presidência executiva da DESA, a usina hidrelétrica denunciada por Berta por subjugar territórios indígenas e camponeses. A ativista, junto com o Conselho Cívico de Organizações Populares e Indígenas de Honduras (COPINH), enfrentou a empresa Desarrollos Energéticos S.A. (DESA) durante anos e seu projeto hidrelétrico Água Zarca.

O projeto da DESA impactou o rio Gualcarque, essencial para a sobrevivência do povo indígena Lenca, como denunciou Berta internacionalmente até poucos minutos antes de ser assassinada em sua casa.

Cáceres foi assassinada em 2 de março de 2016, enquanto dormia em sua casa no Residencial El Líbano, na cidade de La Esperanza, departamento de Intibucá, no oeste de Honduras.

Foto: COPINH

Em 2 de março de 2018, Castillo Mejía foi detido no aeroporto de San Pedro Sula, quando se preparava para embarcar em um avião para a cidade americana de Houston.

De acordo com o Ministério Público, Castillo pode pegar uma pena de 25 a 39 anos de prisão, mas a sentença será conhecida no dia 3 de agosto. O julgamento começou em abril de 2021 em Tegucigalpa.

Já em novembro de 2017, relatório elaborado pelo Grupo Internacional de Especialistas (GAIPE) indicava que a líder social foi assassinada por ordem da empresa responsável por uma hidrelétrica.

“Esta é uma vitória popular para o povo hondurenho”, disse um comunicado do COPINH, a organização social hondurenha da qual Berta foi cofundadora.

Em dezembro de 2019, a Justiça hondurenha condenou com pena de 30 a 50 anos de prisão o oficial do Exército Mariano Díaz, o ex-militar Douglas Geovanny Bustillo, o ex-gerente da empresa do Projeto Água Zarca, Sergio Ramón Rodríguez, e o militar da reserva Henry Hernandez pelo assassinato de Berta.

As condenações também incluíram a tentativa de assassinato do líder ambientalista mexicano Gustavo Castro Soto.

Também foram condenados os identificados como pistoleiros Elvin Heriberto Rápalo Orellana, Edilson Duarte Meza e Óscar Arnaldo Torres Velásquez.

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